O Brasil venceu o primeiro jogo da história que realizou contra a Zâmbia. Na manhã desta terça-feira, no Ninho do Pássaro, em Pequim, o time comandado por Luiz Felipe Scolari fez 2 a 0 sobre os africanos com gols do meia Oscar e do zagueiro Dedé. Ambos marcaram no segundo tempo, quando a Seleção já estava reforçada por habituais titulares que haviam sido poupados da primeira etapa.
Felipão havia apostado em jogadores como o atacante Alexandre Pato e o meia Lucas, que não chegaram a encantar, para tirar dúvidas em relação ao grupo que pretende levar para a Copa do Mundo de 2014. O amistoso também serviu para enfim ver como o Brasil se porta contra um adversário vindo da África, um teste considerado importante com menos de um ano de antecedência para o Mundial.
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| O zagueiro Dedé fez o segundo gol brasileiro aos 21min |
O jogo – Parecia uma repetição da partida contra a Coreia do Sul – e de tantas outras: logo na primeira vez em que tocou na bola, Neymar sofreu uma falta e reclamou com a arbitragem. Pouco depois, apresentou-se para a cobrança na intermediária (de onde havia marcado um gol de bola parada contra os sul-coreanos) e assustou o goleiro Kennedy Mweene. Acertou o travessão.
A jogada de perigo já no princípio do amistoso, contudo, foi um falso indício de que o Brasil encontraria facilidade no primeiro tempo de jogo contra a Zâmbia. É verdade que apenas a Seleção atacou, porém o modificado time de Luiz Felipe Scolari sofria com a falta de entrosamento do meio-campo para a frente. Lucas e Alexandre Pato, tentando mostrar serviço, corriam muito e criavam pouco.
Aos poucos, os jogadores de Zâmbia mostravam que não estavam satisfeitos apenas com a oportunidade de enfrentar a Seleção pentacampeã do mundo – apesar de sempre estenderem as suas mãos, sorridentes, a cada chance que tinham de cumprimentar algum colega de trabalho mais famoso. O técnico francês Patrice Beaumelle montou uma estratégia segura na tentativa de surpreender o Brasil, oferecendo espaços só até o meio-campo e protegendo a sua área com duas linhas de quatro atletas.
Neymar era a solução para a Seleção furar o bloqueio africano. Assim como tem ocorrido em cada uma das últimas apresentações da equipe de Felipão, ele tinha liberdade para atuar em todos os lados do campo e encarregava-se de comandar as jogadas ofensivas brasileiras. Foi com ele, aos 15 minutos, que Ramires tabelou antes de entrar na área pela direita e concluir com efeito. A bola passou pelo goleiro – e também pelo gol.
Zâmbia não se abateu com a nova investida brasileira. Ao contrário. A seleção africana se reestruturou em campo – arriscou até alguns chutes de longa distância – e passou boa parte do primeiro tempo sem ser ameaçada. Somente aos 43 minutos, Neymar roubou uma bola fora da área, avançou para dentro da área e finalizou cruzado. Kennedy Mweene fez uma bela defesa.
Quando o primeiro tempo acabou, Neymar deu uma prova de que estava impaciente com o placar empatado sem gols. Chutou a bola em cima da marcação, mesmo após o último apito do árbitro chinês Fan Qi, e irritou os jogadores de Zâmbia – que se acalmaram rapidamente. Felipão também não estava gostando do que via em campo: trocou Ramires, Lucas e Pato por Oscar, Hulk e Jô no intervalo.
Com um time mais entrosado, a Seleção Brasileira passou a ficar constantemente no ataque no segundo tempo. O gol parecia ser questão de tempo. E foi. Aos 13 minutos, Oscar dominou a bola na intermediária, limpou a marcação e encobriu Kennedy Mweene, que estava adiantado. Satisfeito, Felipão resolveu mexer de novo, com Hernanes na vaga de Paulinho. Na Zâmbia, Patrice Beaumelle trocou Kabaso Chongo por Jimmy Chisenga.
| Neymar foi bastante acionado e participou dos dois gols do Brasil |
Mal entrou em campo, Chisenga já foi alvo da animação de Neymar, ainda mais solto após o Brasil abrir o placar. O atacante do Barcelona gingou na frente do adversário na esquerda e foi derrubado quando tentou aplicar um elástico. Aos 20 minutos, ele mesmo cobrou a falta, e Dedé subiu para cabecear a bola na rede. O zagueiro do Cruzeiro comemorou choroso, como quem tinha a certeza de que estava aproveitando bem a sua oportunidade como titular.
Felipão, no entanto, quis testar mais um defensor em sua formação. Mandou a campo o palmeirense Henrique na vaga de David Luiz. E aproveitou para ordenar, aos berros, os seus jogadores pararem de fazer graça em virtude da facilidade que haviam encontrado no amistoso. Talvez por isso tenha promovido a entrada de Bernard, o meia da “alegria nas pernas”, no lugar de Neymar aos 34 minutos.
Apesar de alguns torcedores chineses terem lamentado a saída do astro do Barcelona, Bernard assumiu a incumbência de dar espetáculo em Pequim. Surgiram dos pés dele as principais jogadas ofensivas da Seleção Brasileira nos minutos finais de partida. Nada suficiente, contudo, para tirar o 2 a 0 do placar.
Fonte : Gazeta Esportiva
